Vivências e convivências

Vivências e convivências

sábado, 23 de maio de 2020

Secretário Executivo: gestor do próprio conhecimento



C

ongratulations! Agora você é bacharel em Secretariado Executivo. Qual é o próximo passo? Propus esta reflexão, certa vez, às acadêmicas da 8ª fase do curso de Secretariado Executivo, que acabavam de apresentar seus Relatórios Finais do Estágio Supervisionado.

Muitas arregalaram os olhos com perplexidade, afinal de contas tinham acabado de fazer a última avaliação para se graduarem. Outras ficaram pensativas. Algumas responderam prontamente que iriam aperfeiçoar a comunicação em língua inglesa e espanhola. Poucas manifestaram interesse em cursar pós-graduação em nível de especialização. É evidente que não esperava reação unânime. Complementei minha fala com as seguintes palavras: 


    Criem, ampliem, aprimorem suas condições de assessoramento! Não esperem que a empresa lhes diga o que, como e quando fazer. Isso não vai acontecer. A formação continuada é o melhor caminho para que vocês possam manter a empregabilidade, aprimorar suas competências e conquistar novos horizontes. 


Essa formação, conforme expliquei às formandas na ocasião, é um processo contínuo de construção de competências, habilidades e atitudes que permitem ao sujeito pensar, ler, interpretar e participar das mudanças velozes e turbulentas que constantemente afetam o cenário econômico, político e social. Neste ambiente dinâmico, não há espaço para meros espectadores.

Sabemos que, cada vez mais, o mercado de trabalho absorverá profissionais qualificados, com iniciativa, criatividade, visão global dos negócios e entusiastas. Sempre enfatizei para meus alunos o quão importante é investir na formação acadêmica e profissional para atuar na área de secretariado e assessoramento executivo.

Nunca é demais repetir que a formação do profissional de secretariado obrigatoriamente deve incluir a conclusão do curso superior em Secretariado Executivo ou do curso técnico em nível de ensino médio. Minha irmã Luciana optou pela formação técnica e tem o registro profissional de Técnica em Secretariado. Ambos os níveis estão em conformidade com a Lei 7.377/85, que regulamenta a profissão de secretário.

Uma sólida formação acadêmica é necessária, porém não basta. Atualize-se sempre para não perder capítulos importantes das transformações ocasionadas pelas novas tecnologias. A falta de atualização - tanto em relação à evolução tecnológica quanto em relação aos cursos, treinamentos, palestras, seminários e leituras – é uma forma de acomodação que pode prejudicar o processo de trabalho de toda equipe, colocando em risco a empregabilidade do profissional e inviabilizando seu progresso na carreira.

Novamente, deparamo-nos com a necessidade da formação continuada, da construção permanente do saber e do saber fazer para garantir a efetiva participação do profissional em cada etapa das mudanças organizacionais.

A condição de assessoramento é um requisito que você deve monitorar ao longo sua carreira, dia após dia. Sem essa de ligar o piloto automático e deixar acontecer. Não se deixe levar pela síndrome do SFA (sempre foi assim). O comodismo é um dos maiores fatores de risco diante das velozes mudanças que caracterizam o mundo do trabalho.

Monitore sua vida profissional por intermédio de perguntas básicas como as relacionadas a seguir.

¨       De que maneira tenho contribuído para organização do trabalho de meu gestor e para otimizar seu tempo?

¨       Com que frequência meu gestor me consulta para obter informações e dados antes da tomada de decisões?

¨       Ao invés de apenas fazer coisas, eu analiso as necessidades da atividade e então planejo, organizo, controlo e coordeno o fluxo de trabalho?

¨       Costumo facilitar a comunicação e o relacionamento interpessoal com as pessoas que procuram o gestor?

¨       Tenho uma compreensão clara de minhas atribuições?

¨       Assumo a responsabilidade pela execução das rotinas administrativas, sem necessidade de supervisão direta e com certo grau de autonomia?

¨       Busco dialogar com o gestor ou equipe de trabalho que assessoro para encontrar meios de contribuir de forma estratégica e eficaz para o desempenho do setor, departamento ou área?

¨       Sou respeitada(o) no espaço de trabalho por me envolver na implementação de melhorias nas rotinas e procedimentos administrativos?

Analise cada uma de suas respostas, confronte-as com a expectativa que a empresa tem em relação ao seu cargo e desempenho. O que o gestor e a empresa esperam de sua atuação?

O próximo passo é traçar metas para ampliar sua condição de assessoramento. Provavelmente você chegará à conclusão de que deve continuar investindo no seu processo de formação. Parabéns! O mercado oferece excelentes programas de educação continuada. Matricular-se em um curso de pós-graduação... Por que não? 

Lembre-se: você é gestor de seu conhecimento. Cabe a você, e somente a você, a responsabilidade de construir um plano de carreira audacioso, que contemple seu desenvolvimento pessoal e profissional.



Fonte: A secretária que faz..., que escrevi e editei em 2010.






terça-feira, 19 de maio de 2020

O secretário analista simbólico


N

o livro “O trabalho das nações”, Robert Reich identifica o surgimento, nos  Estados Unidos, de três amplas categorias de trabalho que também estariam tomando forma em outros países. Convencionou chamá-las de serviços rotineiros de produção, serviços pessoais, e serviços simbólico analíticos.

Os serviços rotineiros de produção estão relacionados a tarefas repetitivas, tediosas e intermináveis, similares às executadas na Sociedade Industrial, com uma diferença: hoje, na Sociedade do Conhecimento, esses serviços são executados na montagem de componentes eletrônicos e na operação de terminais de computador, introduzindo e recuperando dados. São os peões da Era da Informática.

Os serviços pessoais também estão relacionados a tarefas repetitivas e simples. Para Reich, o que diferencia os serviços pessoais dos produtores de rotina é que os servidores pessoais têm contato direto com os usuários finais. Seus honorários são calculados com base nas horas trabalhadas e na quantidade do trabalho. Em geral, esses serviços são executados por profissionais com ensino médio e curso profissionalizante.

A categoria denominada serviços simbólico analíticos inclui todas as atividades de identificação e solução de problemas. Nesta categoria, Reich inclui boa parte do trabalho executado por gerentes; tributaristas; consultores nas áreas de finança, energia, agricultura, armamento e arquitetura; especialistas em informações gerenciais, planejamento estratégico, desenvolvimento organizacional, marketing; headhunters corporativos; analistas de sistemas; executivos de propaganda; diretores artísticos; arquitetos; professores universitários e cinematografistas.

Robert Reich também classifica o secretário como analista simbólico. Em geral, os profissionais desta categoria trabalham sozinhos ou em pequenas equipes, identificando problemas, solucionando-os e promovendo a venda de soluções por meio da manipulação de símbolos (dados, palavras, representações orais e visuais). 

Os analistas simbólicos são formados em cursos universitários, muitas vezes, pós-graduados. Além de passar longas horas concentrados em frente a um computador ou estudando, esses profissionais participam de reuniões, fazem apresentações, fornecem instruções, negociam, redigem relatórios, projetos, passam horas ao telefone, em aviões e hotéis. 

Na opinião do autor, abstração, raciocínio sistêmico, experimentação e colaboração são aptidões básicas para que o analista simbólico possa atuar na identificação e resolução de problemas, bem como na venda de soluções.  A formação de um analista simbólico não termina com a formatura. Este tipo de atividade requer atualização constante. O desafio é aprender a aprender. 

Em outras palavras, o processo de formação do analista simbólico deve lhe dar instrumentos para que seja capaz de compreender o sistema político-econômico e o meio social onde está inserido. Este profissional deve ser capaz de conviver com as diferenças, respeitando o ser humano e contribuindo para construção coletiva de um mundo mais sadio e harmônico.

Para ter condições de atuar em um mercado altamente competitivo e em constantes transformações, o secretário executivo analista simbólico precisa de uma formação que o prepare para analisar o porquê de determinado problema e como este se conecta a outras situações adversas. Por isso, precisa assumir a responsabilidade pela gestão do próprio conhecimento, ou seja, aprender a aprender na busca por competências que lhe permitam exercer a profissão com excelência. 

Eis a questão: o que privilegiar neste processo de autoformação? No meu modo de entender - diante do engajamento que a administração contemporânea requer de seus profissionais – as competências essenciais à formação do secretário executivo analista simbólico são: competência técnica, comunicacional e social. Explico.
¨       Competência técnica na área de gestão: é importante para garantir o domínio e a aplicação de métodos secretariais e gerenciais em áreas específicas de atuação, fazendo uso de ferramentas, materiais, procedimentos, normas e sistemas corporativos.
¨       Competência comunicacional: é essencial para conhecimento e aplicação dos princípios técnicos da comunicação oral e escrita, com o objetivo de aprimorar a comunicação com clientes internos e externos, garantir a qualidade da informação e promover imagem corporativa.
¨       Competência social: é fundamental para conviver harmoniosamente com as pessoas no ambiente profissional e social.

No livro “Metacompetência: uma nova visão do trabalho e da realização pessoal”, Eugênio Mussak apresenta a equação: conhecimento x habilidade x atitude = competência. Em outras palavras, não basta saber, poder ou querer. É preciso equacionar os três elementos para obter-se o resultado esperado.

Conhecimento, habilidade e saber conviver harmoniosamente com as pessoas no espaço profissional são requisitos fundamentais para quem almeja seguir a carreira de assessor executivo. Para ser bem-sucedido, entretanto, e preciso aliar estes requisitos a uma postura profissional coerente, condizente com as regras de conduta que regem o mundo corporativo.


Extrato do livro: A secretária que faz...


sexta-feira, 15 de maio de 2020

Profissional de secretariado: os desafios na minha caminhada


Próximo desafio: a vida acadêmica


O

novo desafio estava direcionado para a     educação formal, ou seja, intencional na atitude, consciente na atividade, formativa nos propósitos, sistemática na realização, limitada em duração e exercida por educadores profissionais.

Ser professora no Curso de Secretariado Executivo Bilíngue da Universidade Regional de Blumenau era um passo arrojado, que fazia parte de meus objetivos. Em agosto de 1992, recém-formada e licenciada em Letras Português Inglês, comecei a lecionar a disciplina Técnicas de Secretariado. Depois, assumi a disciplina Cerimonial e Etiqueta e a Coordenação do Estágio Supervisionado. Logo fui aprovada em concurso público e tornei-me professora do quadro.

Durante os dezessete anos em que lecionei na Universidade, meu propósito foi contribuir para a formação de secretárias e secretários competentes, com conhecimentos e habilidades que os mantivessem empregáveis, capazes de assumir e desempenhar as novas atribuições que lhes fossem delegadas. De forma intencional e sistemática, procurei colaborar para o desenvolvimento pessoal e profissional dos acadêmicos do curso.

Na carreira acadêmica, dedicação, disciplina e determinação continuaram sendo minhas palavras-chave. Assim como na infância, não lembro de me preocupar com o insucesso. Continuei interessando-me apenas em ser bem-sucedida. Muito tempo de lazer e de convívio familiar foi destinado a estudar, estudar e estudar. É o preço a pagar quando se assume a responsabilidade pela gestão do próprio conhecimento.

Para me capacitar na área da educação, participei de cursos, palestras, seminários e congressos. Fiz curso de especialização em Metodologia do Ensino Superior e, em março de 2000, conclui o Mestrado em Educação, ambos na Universidade Regional de Blumenau. O tema da minha dissertação de mestrado foi: o impacto das mudanças organizacionais, administrativas e tecnológicas na profissão de secretário e a contribuição do estágio supervisionado em sua formação.

Alguns dias depois de receber o título de Mestre, assumi a Coordenação do Colegiado do Curso de Secretariado Executivo Bilíngue. Em março de 2003, fui convidada a assessorar o gestor de uma divisão da administração de ensino da universidade em uma atividade específica: desafiadora e fascinante pelos conhecimentos que eu teria que buscar; tranquila porque assessorar é meu porto seguro.

Durante o tempo em que exerci tal função, minha capacidade de assessoramento foi demandada a todo instante e, modéstia a parte, fazia muita diferença no cotidiano. Fui nomeada integrante de comissões, comitês e coordenei projetos de trabalho constituídos por equipes multiprofissionais.

No mesmo ano, muito lisonjeada, aceitei o convite para integrar a equipe de professores do primeiro e único curso lato sensu de especialização em secretariado do Estado de Santa Catarina (convênio CESUSC/SINSESC), ministrado em Florianópolis (SC). Hoje o Programa está com a décima turma em andamento. O diferencial deste curso está na estrutura curricular generalista, com ênfase na gestão de pessoas e processos, recomendado para profissionais que atuam na função de assessoramento de qualquer área da empresa, de qualquer segmento econômico.

O contato frequente com dirigentes e profissionais do secretariado, quer como coordenadora de estágio do curso, quer como consultora e instrutora de treinamentos na área, mantiveram-me próxima do mercado de trabalho. A convivência paralela entre o mundo real e o mundo acadêmico permitiu que eu levasse para sala de aula conteúdos extraídos de situações cotidianas, vivenciadas nas organizações.

Concomitantemente, na condição de especialista em desenvolvimento profissional e capacitação de profissionais do secretariado, percebi a necessidade de buscar subsídios para ajudar os estudantes e as organizações a se posicionarem perante a profissão. Era preciso:

¨       apontar os prováveis rumos do secretariado ao mercado de trabalho;

¨       identificar as atribuições e competências necessárias a um desempenho eficiente e eficaz;

¨       criar oportunidades para que os estudantes e profissionais desenvolvessem a capacidade de agir e refletir sobre sua realidade profissional;

¨       trabalhar as regras de conduta que regem o mundo corporativo, e que são essenciais para solidificar a imagem profissional de qualquer área de atuação.

Passei a ministrar palestras, seminários e cursos in company nas áreas de secretariado e assessoramento executivo; etiqueta e comportamento corporativo.


Fonte: Livro: A Secretária que faz...., que escrevi e editei em 2010.




quinta-feira, 14 de maio de 2020

Profissional de secretariado: mais uma linha de história pessoal



Aprender a aprender: a mola propulsora



A educação continuada tornou-se essencial para lidar com às inovações tecnológicas e, por consequência, com as mudanças no gerenciamento da informação e na operacionalização de inúmeras atividades administrativas. Surgiam novos campos de atuação e exigia-se cada vez mais profissionalismo.

Por isso, procurei fazer parte do time que administrava. Precisava estar atualizada e informada. O meu desempenho não era avaliado somente pela capacidade de lidar com papéis e objetos materiais, mas, principalmente, pela habilidade de lidar com os clientes internos e externos.

Assumi a responsabilidade por minha aprendizagem. Aprender a aprender foi minha mola propulsora para acordar a cada dia com mais disposição para buscar novos conhecimentos. Com intuito de desempenhar bem meu papel profissional, participei de vários cursos de desenvolvimento pessoal e capacitação profissional em várias localidades do País. Precisava ir para os grandes centros para acompanhar as mudanças decorrentes da evolução da tecnologia de informação e de comunicação.

Também fiz cursos no exterior e em São Paulo para aperfeiçoar a conversação e a redação em língua inglesa. Como consegui? Lá trás, quando tomei a decisão de ser secretária executiva trilíngue, comecei a poupar dinheiro - mesmo que pouco - para fazer um intercâmbio internacional.

Precisava de aproximadamente quatro mil dólares para pagar o curso, passagem aérea, hospedagem e alimentação em casa de família. Além de certa quantia para o lazer e extras do dia a dia. Por quê? Queria experimentar a capacidade de me comunicar em língua inglesa com native speakers. E isso só se faz in loco.

Destino: London, Forest Hill School. Quem diria! Filha de pedreiro viajando para o exterior para estudar inglês. Em março de 1979, um sonho; em outubro de 1987, um fato. Embarquei para Londres, Inglaterra. Mais uma meta alcançada. Que felicidade!

Estudar inglês em Londres motivou-me ainda mais a buscar fluência no idioma. Próxima meta: estudar Business English for Secretaries na Associação Alumni, em São Paulo capital. Era um curso de 72 horas aula, ministrado aos sábados.

Como quase tudo que é bom requer sacrifício, de março a junho de 1988, passei as noites de sexta e sábado num ônibus que fazia o itinerário Blumenau São Paulo e vice-versa. Comprometida com minhas decisões, obtive 100% de frequência e finalizei o curso com média dez.

Até então, não havia razão para frequentar um curso superior. Eu estava vivendo uma época de desenvolvimento profissional ímpar, diariamente exposta a uma atmosfera repleta de inovações tecnológicas que impregnava todo ambiente de trabalho. Os cursos de aperfeiçoamento estavam mais próximos de minha realidade profissional.

A vida era minha escola, porém, sem direito a diploma de curso superior. A secretária estava realizada, mas a menina que ministrava aulas para alunos imaginários e o irmão no velho rancho ansiava por minha atenção. Eu queria o diploma para me lançar ao próximo desafio: ser professora.

Em agosto de 1988, iniciei o curso superior de licenciatura em Letras Português Inglês na Universidade Regional de Blumenau.


Extrato do livro: A secretária que faz..., que escrevi e editei em 2010.




Profissional de Secretariado: uma linha da história



Ser secretária: opção ou acaso


P

or falta de outras opções de trabalho, acaso, status ou simplesmente por precisar do salário para sobreviver, profissionais de outras áreas empregavam-se como secretárias. Cursos de formação na área ainda não existiam. A maioria era autodidata e contava apenas com o ensino médio.


Em termos salariais, era uma função pouco gratificante. O mesmo já não pode ser dito em relação ao status: secretariar empresários influentes e bem-sucedidos era sinônimo de prestígio, o que acabava atraindo inúmeras candidatas para as vagas. 


Algumas delas infelizmente utilizavam a profissão como trampolim para outras carreiras, uma vez que o acesso direto aos dirigentes favorecia o contato com quem detinha o poder de decisão. Essa postura prejudicou consideravelmente a imagem da categoria que, ainda hoje, não está livre dos estereótipos gerados por tais comportamentos.


Muitas, porém, ingressaram na carreira por escolha, por gostar e perceber que tinham habilidade para desenvolver as atividades inerentes à profissão. Foi o caso de Elfy que, quando criança, sonhava com uma profissão para alguém que, como ela, gostasse de acompanhar as pessoas, falasse alemão e tivesse facilidade para ler e escrever.


Alguns anos mais tarde, Elfy ficou encantada ao constatar que tal profissão existia. Nas palavras dela:

    Quando fiquei um pouco mais velha, eu vi que essa profissão, embora eu não soubesse na época, se chamava secretária.

Em 1955, ao concluir os 4 anos do ginásio, Elfy comunicou aos pais que queria ser secretária. Embora estes não se mostrassem muito favoráveis, a jovem procurou um gerente de banco - que era amigo do pai - e ofereceu-se para trabalhar. Fez um teste e foi contratada como datilógrafa. Depois, passou a exercer a função de auxiliar administrativa. Mais tarde, Elfy tornou-se secretária da Presidência de uma importante indústria têxtil de Blumenau.

Elfy – como tantas outras profissionais – começou a carreira na função de datilógrafa. Era assim que a secretária era vista nos anos 60: como uma combinação de recepcionista, telefonista, estenógrafa e datilógrafa. Na época, muito tempo era empregado na datilografia de documentos, por isso, o desempenho profissional era medido pela eficiência e agilidade com a máquina de escrever. Datilografia era um dos poucos cursos existentes para a formação profissional de secretárias, o restante se aprendia fazendo no cotidiano do escritório.


Eu, assim como Elfy, desde menina ensaiei para ser secretária. Mas foi ela, Elfy, quem desbravou os caminhos da profissão na Região e tornou-se nossa mentora. 


Extrato do livro: A secretária que faz...., que escrevi e editei em 2010. Um pouco de minha história de vida como profissional de secretariado em início de carreira.


quarta-feira, 13 de maio de 2020

Como dizer "NÃO" no trabalho



Sem a pretensão de inventar a roda, e sim de enaltecer o que outros profissionais escrevem, trago aqui para vocês uma agradável leitura, acompanhada de dicas praticáveis para se dizer “não”, sem contudo, ofender ou ser rude com a outra pessoa. O texto tem como fonte de referência, na sua íntegra, o site Estado Zen (http://estadozen.com/).

É um texto que vem para contribuir com quem tem dificuldades de dizer NÃO para evitar magoar o outro, ou achar que é super power para dar conta de tudo. Sim, porque querer fazer tudo e agradar a todos, e a incapacidade para dizer NÃO, pode se tornar um macabro desperdiçador de tempo.

Vamos, então, ao texto divulgado no citado site, com o título

7 formas simples de dizer “não” 


Tem dificuldade em dizer a palavra “não”? Está constantemente a tentar ser simpático com os outros, às suas custas? Se respondeu sim, então saiba que não está sozinho. A maior parte das vezes não conseguimos dizer que “não” porque não queremos ferir suscetibilidades, nem ser vistos como pouco cooperativos. No entanto, nunca dizer que “não” pode prejudicar a nossa vida pessoal e profissional de mais maneiras do que podemos imaginar. Aprenda a dizer “não” sem sentimentos de culpa. 


Por que é que temos dificuldade em dizer “não”?


Para podermos aprender como dizer “não”, precisamos compreender, em primeiro lugar, porque é que temos dificuldade em dizer “não”.


Queremos ajudar. Somos boas pessoas e não queremos recusar nada a ninguém. Queremos ajudar os outros sempre que possível, mesmo que isso prejudique o nosso tempo pessoal.


Medo de ser mal-educado. Quer queiramos, quer não, a palavra “não” ainda tem uma conotação muito negativa e ao proferi-la podemos sentir que estamos a ser mal-educados ou pouco respeitosos.


Queremos ser cooperativos. Não nos queremos alienar do nosso grupo simplesmente porque não concordamos, por isso, em vez de dizer “não”, dizemos “sim”.


Medo do conflito. Temos medo que a outra pessoa se zangue se dissermos que “não”, que um “não” possa incitar uma discussão ou que tenha consequências negativas na relação no futuro próximo.


Medo de perder uma oportunidade. O medo de dizer “não” pode estar diretamente relacionado com o medo de perder uma oportunidade, presente ou futura.


Danificar relacionamentos. Muitas pessoas encaram um “não” como uma rejeição e isso pode enfraquecer e até danificar relações pessoais e profissionais.


Não vs. Sim

Se concordou com algum destes motivos, é porque provavelmente reviu-se numa ou várias situações como estas. No entanto, a maioria dos motivos acima apresentados são erróneos: desde quando é que dizer “não” é sinónimo de falta de respeito ou má educação? Desde quando é que dizer “não” significa que está a ser do contra? Para além disso, como é que um simples “não” pode fechar impreterivelmente todas as portas do seu futuro ou acabar com todas as suas relações? São mitos que enraizamos, mas que nos enganam. Na realidade, o que interessa verdadeiramente é a forma como se diz “não”: nem sempre estamos com disposição, paciência ou tempo para dizer que “sim”, por isso, é importante saber dizer que “não” – até porque este é um direito que assiste a todos. 

7 formas simples de dizer “não” 


Em vez de evitar as situações em que quer ou tem de dizer que “não”, enfrente-as e aprenda a melhor forma de proferir essa simples palavra de três letras. Regra geral, as pessoas vão compreender e aceitar. A seguir, tem 7 formas simples de dizer “não” – utilize sempre aquela que melhor se adapta à situação.


1. “Não me posso comprometer com isso uma vez que neste momento tenho outras prioridades.”


Se isto for realmente verdade, então não há volta a dar. Utilizar esta frase explica bem à outra pessoa que, neste momento, está de facto atolado de afazeres. Se achar necessário e pretender que a pessoa perceba melhor a sua situação, pode falar-lhe de algumas dessas prioridades.


2. “Não é uma boa altura, estou a meio de uma coisa. Podemos conversar às x horas?”


As interrupções podem ser complicadas e para não cair na tentação de deixar de fazer o que estava a fazer para atender outra pessoa, utilize esta frase. Para além de informar a pessoa que está ocupado, não a descarta por completo ao sugerir um horário alternativo para conversarem. 


3. “Adorava fazer isso, mas…”


Esta é a forma mais suave de dizer que “não”, sem desrespeitar a pessoa, a sua ideia ou pedido. É uma excelente opção quando precisa se dizer “não” pelo motivo número 1 (outras prioridades) ou número 5 (necessidades/prioridades distintas). 


4. “Deixe-me pensar primeiro e depois digo-lhe alguma coisa.”


Esta opção soa mais como um “talvez” do que um “não”, por isso, é um excelente recurso se tiver realmente interessado  mas não quer dizer logo que “sim” – para além disso, permite-lhe dizer que “não” se acabar por chegar a essa conclusão. Se necessário estabeleça um prazo para a resposta com a pessoa em questão. No entanto, se souber logo de antemão que não está interessado, não utilize este método, prefira antes as opções 5, 6 ou 7 que veiculam respostas definitivas. 


5. “Isso não corresponde às minhas prioridades atuais, mas vou manter isso em mente”.


Se alguém lhe está a propor algo que não lhe interessa minimamente, é importante comunicar-lhe isso mesmo, caso contrário a conversa pode estender-se indefinidamente. Esta frase não só comunica as suas intenções de forma educada, como demonstra que aquilo que está a ser proposto não é completamente irrelevante (e a outra pessoa vai gostar de ouvir) e que está aberto a futuras ideias/oportunidades. 


6. Não sou a melhor pessoa para ajudar com isso. Porque não fala com x?”


Se alguém lhe está a pedir ajuda para uma coisa para a qual pouco ou nada pode contribuir, informe a pessoa disso mesmo. Para além de ser uma forma educada de dizer que “não”, ainda ajuda a outra pessoa a resolver o seu problema ao indicar-lhe outro contacto. 


7. “Não, não posso.”


A forma mais curta, simples e direta de dizer “não”. Esqueça todos os mitos e conotações negativas que normalmente associa ao ato de proferir a palavra “não” e diga simplesmente “não”. Pense menos e diga mais – ficará surpreendido com o facto de ela realmente funcionar e que o feedback não será tão desastroso como imagina. O que ganha com isso? Tempo e a possibilidade de fazer apenas aquilo que realmente quer fazer. Experimente, não vai querer outra coisa.

Fonte: http://estadozen.com/artigos/7-formas-simples-dizer-nao, acessado em 7 de abril de 2016.





O sentido da vida


O sentido da vida, livro escrito por Bradley Trevor Greive em 2002, cuja tradução para o Português foi feita por Luis Fernando Verissimo.

Desse livro, extrai a seguinte mensagem para nós diante de um momento em que a falta de tolerância e a arrogância de muitos fazem com que nos sintamos tristes e desolados.


"Ponha a mão no peito e sinta as batidas de seu coração.
Esse é o relógio da sua vida tiquetaqueando a contagem regressiva do tempo que lhe resta.
Um dia ele parará.
Isso é cem por cento garantido e não há nada que você possa fazer a respeito.
Portanto, não dá para perder um único precioso segundo. 
Vá atrás do seu sonho com energia e paixão, ou então recue e veja-o escorrer pelo ralo. 

Apesar dos nossos sentimentos de invencibilidade e imortalidade,
nossa existência é muito mais frágil do que podemos imaginar."