Vivências e convivências

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A empresa como "Sociedade de Pessoas"


Foi enquanto lia o artigo “Ética e sigilo na empresa e os profissionais de secretariado” de Maria do Carmo Whitaker e Thais Novaes Cavalcanti, publicado na Revista de Gestão e Secretariado que me surgiu a inspiração para este artigo.
Não faço intenções de falar de ética, mas sim da importância que as pessoas desempenham nas empresas e da atitude das empresas para com os seus colaboradores.
Citando as autoras do artigo supracitado:

A empresa não pode ser considerada apenas como uma “sociedade de capitais”; ela é também uma “sociedade de pessoas”.
A empresa, afirma Cifuentes, é antes de tudo uma comunidade de pessoas e a ênfase se dá não ao investimento feito por essas pessoas, mas sim às pessoas que contribuem com o investimento. Em suma, o fator principal da empresa não é o capital, mas as pessoas.

Estamos em tempo de crise aqui em Portugal, as empresas olham para o futuro com desconfiança e começam a contar os seus tostões e se o investimento nos colaboradores já era olhado apenas como mais um gasto, agora a tendência será desinvestir cada vez mais.

Quando falo em investimento nos colaboradores, não falo de aumentos salariais ou outros benefícios económicos, falo em formação, falo em gestão emocional como a aplicada pela empresa Oni Communication ou de um contínuo investimento nos colaboradores e uma consciência clara de que o poder está efectivamente nas pessoas como na Bayer.

Tem de haver uma política que leve não só à obtenção de talentos, mas também à criação de talentos e à sua retenção. Não vale a pena escolher o melhor candidato quando fazemos o recrutamento e depois abandoná-lo e esperar que ele seja sempre o melhor, o mais motivado, que ele saiba sempre o que a empresa espera dele. Se não houver comunicação, se não houver motivação, se esse colaborador não tiver espaço para se desenvolver, para aprender mais e para usar os novos conhecimentos, ele acabará por levar esse talento para outra empresa.

Um colaborador apaixonado pelo que faz, comprometido com os valores e os objectivos da empresa, com “amor à camisola” é talvez um dos maiores valores que uma empresa pode ter. Não é por acaso que cada vez se utiliza mais a imagem dos próprios colaboradores em anúncios televisivos, pois não há melhor canal de vendas que um colaborador satisfeito.

É importante não só que a empresa tenha noção da importância dos seus colaboradores, mas também que os colaboradores sintam que são importantes, úteis e que vale a pena investirem na empresa com os seus conhecimentos, com o seu know-how e com as suas competências.


Autora: Diana Ferreira, secretária executiva em Lisboa (Portugal).
Seu blog: http://secretariando.wordpress.com/

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A Secretária que Faz

Ela trabalhou 17 anos como secretária executiva trilíngue e outros 17 como professora no curso de Secretariado Executivo da Furb. Além do português, domina o inglês e o alemão e assessorou executivos blumenauenses em grandes indústrias têxteis. Hoje, Eliane Wamser é palestrante e instrutora em empresas e acaba de publicar o livro A Secretária que faz.


O que traz o livro?

Eliane Wamser - Traz um pouco do jeito como eu exercia e de como eu ensinei a profissão, além de questões legais, como profissão regulamentada. Dou dicas de como conduzir a carreira, planejando os passos e aliando dedicação, disciplina, determinação e, principalmente, foco.

Como está o mercado?

Eliane - Carente de bons profissionais. Tem empresa buscando secretárias executivas com inglês de ponta e não consegue achar. Os jovens não querem estudar porque não sabem o que é ser um assessor executivo. Esse é um dos objetivos do livro.

E o salário?

Eliane - Secretárias de alto escalão começam ganhando R$ 2,5 mil e podem chegar a ganhar R$ 6 mil na nossa região. Teve um concurso público que oferecia R$ 6,6 mil e tiveram que prorrogar por falta de inscritos.

Não vejo homens na profissão. Por quê?

Eliane - Dos cerca de 600 alunos formados na Furb, quatro são homens. Os escribas, primeiros secretários da história, foram homens. As mulheres entraram no mercado como auxiliares para substituir os que morriam nas guerras. Nos últimos anos é que se enfatizou o papel de gestora, de facilitadora, e com isso os homens começam a voltar, mas com o nome de assessores.

Existe fiscalização?

Eliane - Não existe porque a criação do Conselho Federal de Secretariado tramita no Congresso há mais de cinco anos. A Superintendência Regional do Trabalho só fiscaliza se houver denúncia. O sindicato atua mais nos casos de edital de concurso público que não pede a formação.

Como conseguir um bom trabalho?

Eliane - As vagas para secretária executiva estão escondidas, como escondidas estão a de um diretor. As empresas não colocam nos classificados. Vai muito de conhecer e indicar. Uma boa rede de relacionamentos é fundamental.


Autor: Francisco Fresard
Fonte: Jornal de Santa Catarina, edição de 13 de dezembro de 2010, Coluna Mercado Aberto.