Vivências e convivências

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terça-feira, 23 de junho de 2015

Por que a formação em Secretariado perdeu o foco?


#Opinião  

O processo de educação formal (graduação) perdeu o foco do que é essencial para o Secretariado Executivo. Equivocou-se ao  privilegiar conteúdos básicos em detrimento de conteúdos específicos. 

O desvio e a deturpação na formação de Secretários acontecem quando se privilegia o ensinamento de conteúdos das mais diversas áreas do mundo corporativo e se deixa – de forma camuflada - o ensinamento de conteúdos específicos e próprios do Secretariado, para um segundo momento. 

A ênfase em conteúdos básicos, como por exemplo: recursos humanos, relações públicas, relações internacionais, para citar apenas alguns, lamentavelmente levam muitos graduandos e bacharéis a considerar esses conteúdos como geradores de conhecimentos entendidos como fundamentais e canalizam sua formação para essas áreas, tendo o Secretariado como secundário. 

O que quero dizer é que não utilizam esses conteúdos/conhecimentos para atuarem como assessores executivos com mais efetividade e competência, e visão sistêmica. Amparam-se nesses conhecimentos para migrar para outras áreas, descaracterizando sua formação em Secretariado e desta forma, de longe qualificando-se como um secretário analista-simbólico, muito bem definido por Robert Reich. 

Esse embate, na minha opinião, vem de uma interpretação deturpada desde o estabelecimento das Diretrizes Curriculares para a graduação em Secretariado Executivo (2004). As Diretrizes Curriculares, no item “Conteúdos curriculares básicos”, apontam que os cursos devem contemplar em seus projetos pedagógicos e em sua organização curricular, estudos relacionados com as ciências sociais, jurídicas, econômicas, de comunicação e de informação. Claro que sou totalmente favorável – e sempre defendi - que a formação de um Secretário Executivo contemple esses conhecimentos. Contudo, pela ausência de professores específicos e qualificados de Secretariado, os conteúdos básicos acabaram ganhando mais ênfase na formação de Secretários do que os conteúdos específicos, assim determinados nas Diretrizes Curriculares. 

Os professores com formação em Secretariado, que seriam os que teriam o know-how para manter o foco na essência do Secretariado, acabaram tendo sua voz abafada pela estrutura corporativista posta nas IES, fechada em seus departamentos, que sempre almejam uma fatia generosa da carga horária das aulas que compõem a “grade curricular”. 

Isso mesmo, conscientemente quero dizer grade, porque a preocupação corporativista não se compromete efetivamente com o currículo de um curso. Relegam-no à responsabilidade dos professores que ministram disciplinas específicas, e que nem sempre conseguem constituir um departamento próprio de Secretariado.  

O Secretariado perdeu seu foco e entrou na onda da “generalidade”, do genérico, do saber de tudo um pouco, porque foi engolido por essa postura departamental corporativista. Esquecemos da essência, porque permitimos que os conteúdos básicos tomassem conta das estruturas curriculares. Com isso, confundimos a cabeça e o fazer profissional dos bacharéis.  

Empombamos demais a grade curricular dos cursos e nos omitimos em construir um currículo de fato para o Secretariado. Costuramos uma colcha de retalhos, fazemos um verdadeiro patchwork com a nossa profissão, alinhavando com disciplinas de múltiplas áreas. 

É algo tão presente no contexto que recentemente me deparei com um post em uma rede social de um grupo do qual faço parte, onde um professor, que considero muito, chamou atenção para o fato de se fazer os TCCs ou trabalhos finais de curso em diversas temáticas sem, contudo, lincar com o Secretariado. Estamos nos referindo a TCCs do curso de Secretariado!!.  

Se essa situação está se tornando uma realidade nos TCCs. Com muita tristeza no coração, também está se firmando como uma realidade em dissertações de Mestrado e teses de Doutorado de bacharéis em Secretariado. Bacharéis de Secretariado que são professores de Secretariado, e que defendem suas teses a partir de objetos de estudos que tem nada a ver com a área em que lecionam nas IES. 

Claro, com o título de doutor, serão pesquisadores. Em que área? Do objeto de estudo do doutoramento? Ou do curso em que lecionam e são concursados, o Secretariado? 

Que postura eles assumirão frente aos estudantes, que estão aí em sala de aula ávidos por conhecimento para construírem sua carreira profissional? E na expectativa de aprenderem a lidar com as especificidades da área profissional? 

Certamente ficarão no vazio. No vazio de um perfil profissional que não estão encontrando em quem deveria lhes orientar nesse sentido. Postura é algo que não se ensina por ensinar. Postura se ensina pelo exemplo, por “ser”, pelo comportamento.
Tenho dito!

 

 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Secretária(o) Executiva(o): uma profissão (parte II)

 

Pesquisas apontam que 15% do sucesso profissional são devidos ao treinamento e capacidade técnica, à inteligência e à habilidade no trabalho. Os outros 85% estão ligados à competência de se relacionar com as outras pessoas.
Ou melhor dizendo: a engenharia humana é mais importante que o conhecimento técnico. 

§  No caso específico do Secretariado, é essencial saber conviver harmoniosamente com as pessoas no ambiente profissional e social. Ser bem sucedido no trabalho em equipe, na gestão e resolução de conflitos requer capacidade de estabelecer relações interpessoais estáveis e eficazes entre as pessoas.
§  Exige-se competência de comunicação verbal e escrita em, no mínimo, dois idiomas estrangeiros, para elaborar documentos empresariais, discursos, palestras e conferências, interpretar e sintetizar textos.
§  A “organização fundamentada na informação” (Peter Drucker) está à procura de secretárias(os) capazes de criar seu próprio entusiasmo, com atitudes necessárias para transformar pensar em fazer. Para tanto, deve saber aplicar com eficácia as técnicas de assessoramento e as funções gerenciais para planejar, organizar, coordenar e gerenciar rotinas administrativas, projetos e processos, e assessorar dirigentes e equipes de trabalho.
§  Gerenciar a informação e processo de forma a disponibilizar ferramentas eficazes que permitam a tomada de decisão acertada.
§  Ser profissional do secretariado requer características básicas como:

multifuncionalidade, iniciativa, ousadia, flexibilidade, discrição, responsabilidade,criatividade, autonomia, proatividade, empreendedorismo, humildade, dinamismo, cultura geral, lealdade, liderança, respeito, dedicação, determinação, bom senso, paciência, tolerância, pontualidade, organização, ótima comunicação verbal e não verbal,   ......

§  Deve estar atento às mudanças de valores, crenças e comportamentos, às mudanças do mundo do trabalho, à evolução profissional, às necessidades da instituição em que atua.
§  Antecipar-se a essas mudanças, automotivando-se e desenvolvendo-se pela aprendizagem contínua. Investir no crescimento e na harmonia pessoal e profissional e ter ciência do seu importante papel de agente de mudança e da atuação como gerente e agente facilitador.
§  Ter postura e ética profissional.