Vivências e convivências

Vivências e convivências

sexta-feira, 27 de março de 2015

Tempo: nossa mais valiosa "commodity"

 

Annie Dillard, uma escritora Americana, disse: “Como vivemos nossos dias é, com certeza, como nós vivemos nossas vidas”. Tempo. É, sem dúvida, nossa mais valiosa commodity. Diferente das pedras e metais preciosos, ou de quaisquer outras preciosidades, o tempo não pode ser acumulado, coletado, ganhado ou comprado com trabalho duro, dinheiro, dignidade, ou com nossa alma. Ele desliza entre nós se colocamos nele sentido ou não. Use-o ou perca-o!  

Percebo que todos têm consciência de quão limitada é nossa vida no quesito tempo, e mesmo assim nós agimos como se não soubéssemos o real valor do tempo. Usamos palavras como gastar, matar, ou desperdiçar quando falamos da forma finita das horas de cada dia. Os sistemas de gerenciamento de tempo são abundantes, entretanto, nós tropeçamos e cambaleamos ao tentar dar o melhor nós a cada nascer do sol. Planejamos o futuro e negligenciamos o presente. Olhamos melancólicos para o passado embora o futuro esteja cheio de esperanças.
 
E ainda, para muitos de nós, parece que não há horas suficientes  no dia. Comprimimos tudo aquilo que vai dentro de 24 horas do tique-taque, pechinchando com o Deus do Tempo, ingenuamente esperando que ele mova  nossas intenções de produzir mais, realizar mais, ser mais. Nós nadamos neste paradoxo, debatendo nosso corpo, negociando a qualidade de nossas vidas enquanto atrapalhadamente aspiramos uma qualidade de vida ideal. 

Por quê tudo isso acontece? Porque nós permitimos nossos chefes, nossos amigos e nossas pobres decisões serem donas do nosso tempo. Chegamos em casa do trabalho exaustos, sem vontade de fazer nada, e temendo que temos apenas algumas horas para dormir antes de acordar e fazer a mesma rotina novamente. Eu entendo que temos um trabalho e somos pagos pelo nosso tempo, mas nós todos devemos recuperar a melhor forma como gastamos o nosso tempo. Senão ficaremos doentes ao trabalhar muito e depressivos pela falta de equilíbrio em nossas vidas.
 
Uma maneira de reorganizar o nosso tempo é fazer uma atividade por dia que realmente agregue valor em nossas vidas. Agregar valor para mim é nos desafiarmos com uma nova experiência, aquela que sempre se quis fazer mas “por falta de tempo”, acabamos deixando passar. Talvez uma aula de piano, aprender uma nova língua, aquela caminhada ao redor do parque, enfim, algo que recarregue as energias, que traga alegria e revigora a criatividade. É fazer algo que você (nós) sempre gostou mas nunca se propôs a realizar. 

Todas as estratégias de gerenciamento de tempo não irão ajudar se não se sabe o que realmente se quer. Não falo necessariamente das nossas conquistas e objetivos de carreira, mas o que se quer podem ser pequenas coisas que se aprecia fazer, e que são importantes para cada um de nós. Quaisquer que sejam, sejamos específicos nelas, assim saberemos em que focar, e na verdade teremos alguma coisa para fazer quando se criar aquele tempo livre!  

Ser dono do seu tempo não é ter mais tempo livre, é saber o que se quer e usar este tempo que é dado para ser mais produtivo. Para isso é preciso estabelecer limites. O que é algo muito difícil para todos nós que possuímos uma vida tão ocupada, chefes exigentes, e problemas em dizer “não”.  Estabelecer limites significa reconhecer o que é importante para cada um, programar alguns minutos para curtir isso, e fazer não importa o quê de fato se quer . Algumas pessoas podem ser até resistentes a essa ideia, mas precisamos pensar: “essa é a nossa vida e o nosso tempo, e somos as pessoas mais importantes nela”. Mesmo se dedicarmos nosso tempo ajudando os outros, não teremos tempo de perceber o que é importante ao menos que se respeite o próprio tempo. 

Mensagem para você!!....Influencie você mesmo ao substituir inúmeras tarefas/atividades lhe dando pequenos momentos de prazer e avance em seus objetivos. Cada atividade merece esforço, algumas atividades lhe darão grandes resultados, e outras são meramente importantes. Celebre cada atividade concluída com algo que lhe dê muita satisfação em fazer. Tome cuidado com hábitos muito “consumistas”, como TV e redes sociais em excesso, argumentos inúteis com colegas de trabaho, ou muitas tarefas diversas em seu dia-a-dia. Quando você “produz” tempo, você deve usar o tempo que lhe é dado para atingir os seus objetivos e te libertar destes hábitos “consumistas”. 

Soa simples: estabeleça limites, influencie o seu tempo e corte os hábitos “consumistas”. Mas se fosse tão simples, a questão tempo não seria um grande problema para a maioria. Às vezes, o medo de mudar impede nossos avanços. O medo pode nos questionar inúmeras vezes ao redefinir nosso gerenciamento do tempo, mas basta fazermos as perguntas certas para organizar a vida:
-          Terei uma ótima vida se eu investir no meu próprio tempo?
-          Quais oportunidades de carreira podem se abrir para mim quando as pessoas respeitarem minha autoestima?
-          Como posso ajustar a minha agenda e permanecer produtivo e conhecer as minhas reais intenções enquanto faço meu trabalho? 

Tempo é o melhor presente que você pode se dar, porque você realmente pode curti-lo e porque lhe dá espaço para conquistar os teus sonhos. Então vamos em frente, vamos nos dar o tempo que tanto necessitamos, para a vida que queremos hoje, e criar a vida que queremos amanhã.
 

Autora:  Rafaela P. Piazza, texto construído na disciplina de Tempo, Organização e Planejamento, do curso de Pós-Graduação em Assessoria Executiva Empresarial, pela FURB – Universidade Regional de Blumenau.
 
 

segunda-feira, 23 de março de 2015

Será que tudo é uma questão de tempo?



Se fizermos uma analogia de nossas vidas, e da vida das empresas em que trabalhamos, quais são as semelhanças e as diferenças que podemos identificar? Primeiramente deveríamos fazer uma pergunta básica, e o que é “Vida”?
Algumas pessoas podem dizer que vida é o tempo entre a concepção e a morte, a condição de uma entidade que nasceu e ainda não morreu, ou um processo em curso do qual seres vivos são uma parte, levando isto em consideração podemos dizer que é tudo uma questão de tempo, e de como iremos empregar este tempo em nossas vidas e na vida de nossas empresas.
Ao conhecer um pouco mais sobre a “Tríade do Tempo” de Christian Barbosa que trata sobre aquilo que é importante, urgente e circunstancial percebemos que não temos como separar nossas vidas pessoais de nossas carreiras profissionais, tal feito seria um erro, porém infelizmente, automaticamente ou até inconscientemente tentamos não misturar as coisas e separá-las para que quem sabe a leveza de uma não interfira na dureza de outra e assim vice-versa, o que não percebemos é que na intenção de separá-las estamos mal administrando o tempo de ambas, estamos apenas remendando e criando um provisório que é para sempre.
No livro que li - “Casais inteligentes que enriquecem juntos” de Gustavo Cerbasi, aprendi muitas coisas das quais levo para minha vida e para a vida de minha noiva desde então, porém nem sempre aplicamos tudo aquilo que temos de teoria, e qual seria o motivo para a não aplicação destas teorias?
Já ouvi falar que o ‘urgente’ é tudo aquilo que alguém não conseguiu realizar em tempo hábil e quer que você faça em tempo recorde; também ouvi falar que para cada um minuto que usamos para nos planejarmos ganhamos uma hora de produtividade, e que tudo é uma questão de acreditar, sentir-se preparado e não desistir.
O que nunca ninguém me falou é que muitas vezes nos sabotamos, que aplicamos erroneamente o nosso tempo e não planejamos estrategicamente com brainstorming, plano de ação, briefing e feedback nossas vidas e carreiras, não percebemos quais são nossos pontos fortes e fracos, assim como normalmente agimos dentro das organizações a qual pertencemos.
Se eu colocasse no papel, tudo aquilo que atrapalha a otimização de nosso tempo eu diria que a primeira coisa é não refletir sobre isso, a partir daí uma série de justificativas podem ser apresentadas.
Recentemente aprendi uma gíria nova, que faz referência ao assessor que nada assessora - não vou citar a gíria neste texto, mas os acadêmicos da pós-graduação de Assessoria Executiva Empresarial sabem qual é e o que isso significa - por diversas vezes encontramos pessoas com este perfil a nossa volta, e o que difere essas pessoas das demais se define em um verbo, fazer.
Fazer acontecer é isso o que um executivo faz, este é o significado ou a tradução desta profissão. E assessorar este profissional nada mais seria do que garantir que a sua missão seja cumprida, porém isso tudo só é possível uma vez que nos conhecemos, uma vez que fazemos uma leitura sobre nós mesmos e enxergamos tudo aquilo que para nós é importante, urgente ou circunstancial. O ser humano, como a qualquer outra entidade que atribuímos a vida, possui sua individualidade  biológica, ou seja, não existe nada, nem ninguém exatamente igual, e portanto não tem como se criar uma receita de bolo para aplicar em tudo. Mas existem mecanismos dos quais podemos utilizar e aplicar para melhor nos conhecermos  e decidir quais métodos são os mais eficazes perante nossas características.
O que eu mais gosto de fazer, neste momento é estar na minha casa, simples assim, porém, para mim, não existe nada mais importante no mundo nem mais grandioso do que isso, pois é na minha casa que está a minha noiva, que amo além dessa vida; é na minha casa que depositei toda minha luta, trabalho, sangue e suor; é em cada cômodo, em cada móvel e objeto que lá está que dediquei uma vida inteira de esforço, aprendizado, bagagem, vitórias e derrotas. É nesta casa também que está o Valente, meu mais novo melhor amigo, filho, parceiro ou como quer que se deva chamar, meu mais novo cãozinho.
 Tenho certeza de que se eu ler este texto daqui a alguns anos, acharei este trecho bizarro, engraçado e talvez me envergonhe um pouco por isso, mas acho que tudo isso também é uma questão de tempo.
O tempo às vezes parece fluir e uma hora passa feito um segundo e outras vezes um segundo dura uma eternidade, a verdade é que tudo depende do sentimento que aplicamos ao momento em que estamos vivendo, associamos momentos bons, ao fato de serem curtos e momentos ruins de demorarem, mas que graça teriam os momentos bons se a ocasionalidade pela qual este fenômeno acontecesse fosse maior do que os momentos ruins.
Que importância daríamos a estes momentos?
E qual felicidade este momento nos proporcionaria?
Tudo que aprendi até aqui, me faz desejar somente, simples e curtíssimos momentos da mais pura e verdadeira felicidade e que a incidência destes acontecimentos seja tão duradoura, quanto um segundo perante a eternidade. 
        Pensar sobre isso é fácil, agir desta forma é que é difícil. A verdade que acredito é que fácil é tudo aquilo que dominamos, que já conhecemos e difícil é tudo aquilo que precisamos empregar um pouquinho mais de tempo para aprender como se faz.
        Se alguém me pedisse para encontrar um elefante branco e me convencesse da importância de se ter um elefante branco, e me perguntasse como eu faria isto?  Eu diria que encontraria um elefante a venda em algum país distinto, em algum zoológico ou em um circo; daria um jeito de importá-lo e regularizar sua situação e quando ele estivesse aqui encontraria a tinta certa para pintá-lo de forma que isso não o prejudicasse e fazendo com que nenhuma ONG se oponha a minha vontade.  Porém se alquém mandar eu arrumar um elefante branco não importando a maneira com a qual eu faria isto, sem considerar minha opinião ou desrespeitando meu intelecto, eu obviamente irei tirar meu time de campo, para mim isto é o que difere daquilo que faço, daquilo que me é imposto e daquilo que escolho fazer.
Concluo então que o que me atrapalha é aquilo que eu não organizo, aquilo que não planejo e que não faço uma gestão, que desperdiço muito tempo me dedicando a encontrar formas, quando o que eu preciso primeiro é de mais autoconhecimento, é esquecer um pouco o “quando” e o “como” e definir um pouco mais “o que”, o que é importante, o que é urgente, e o que é circunstancial, o que eu gosto de fazer, o que eu não gosto, e o porque disso tudo.
Por fim, precisamos fazer um pouco mais por nós e por nossas vidas, como tudo aquilo que sempre fazemos pelas empresas nas quais passamos, isso responde minha pergunta inicial, esta é a semelhança que desejamos e a diferença que não enxergamos entre a importância de ambas as vidas e como elas se relacionam. 

Autor: Eduardo Augusto de Mattos. Texto produzido para a disciplina de Tempo, Organização e Planejamento, do curso de Pós-Graduação em Assessoria Executiva Empresarial, da Universidade Regional de Blumenau, em fevereiro de 2015.