Vivências e convivências

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segunda-feira, 28 de março de 2011

Educação permanente: o que é?

Para Knechtel (1995, p. 75), a educação permanente tem como “premissas a emancipação do homem e melhoria de sua vida.” Requer uma participação espontânea e comprometida. Tem como função auxiliar no resgate e promoção da cidadania, da liberdade e do respeito mútuo entre os componentes da sociedade.


Conforme a autora, a educação permanente é decorrência de uma necessidade de se construir continuamente novas atitudes e novos modos de pensar, ler e interpretar o mundo, que sofre mudanças contínuas, velozes e turbulentas. Não é só para educar uma classe social oprimida, mas educar todas as que compõem uma sociedade.


A educação permanente transcende a educação formal, pois permite o desenvolver de revisões globais, como um processo de socialização orientada para aumentar e solidificar as potencialidades individuais e coletivas dos sujeitos, principalmente, na comunidade. Mediante a recuperação e recriação de valores, a produção, a apropriação e aplicação de conhecimentos, permite o desenvolvimento de novos saberes.


A educação permanente é parte de um processo social, histórico e político mais amplo. Tem como premissas, a visão de mundo, a solidariedade e confraternização político-sócio-cultural dos indivíduos no convívio que se apoio em três pilares: a reflexão, o amor e a ação, na busca do seu espaço no mundo, enquanto sujeitos da história.


A educação permanente é um instrumento ao lado de outros instrumentos como pedagógicos (educação formal, imprensa escrita e falada, cinemas, vídeo, viagens turísticas), políticos (movimentos sociais, como os ecológicos, paz, desabrigados, entre outros) e religiosos, capaz de promover a cidadania plena e “[...] que poderia conduzir os cidadãos adultos a uma melhor compreensão do exercício de cidadania num tríplice registro: o econômico, o político-ideológico e o técnico-profissional.” (FREITAG apud KNECHTEL, 1995, p. 7).


Segundo Freitag, no prefácio do livro de Knechtel (1995), a educação permanente transforma o homem e a mulher em cidadãos do mundo, pessoas responsáveis e autônomas que, ao se formarem e aprimorarem, formam, reformam e aprimoram o mundo em que vivem.


Bárcia (1982, p. 63) conceitua educação permanente a partir da compreensão de que “educação é um processo contínuo que só termina com a morte e que ao mesmo tempo é determinada pelas necessidades sociais”. Assim sendo, entende a educação permanente como “um processo e afirmação do indivíduo através da tomada de consciência para um auto-determinismo na condução de alternativas, a fim de dominar as diferentes situações em que será levado a viver.”


A educação permanente, em suas várias modalidades (educação a distância, ambiental, para terceira idade, para lazer, treinamento, aperfeiçoamento profissional, círculos de cultura, nas igrejas, sindicatos, associações) é fruto de movimentos organizados para preencher as lacunas deixadas por um sistema de educação formal, para atender as necessidade que se apresentam na sociedade. (KNECHTEL, 1995, p. 30).


Não deve estar voltada exclusivamente para a formação de profissionais para o mercado de trabalho, mas sim, para formar pessoas “capazes de assumir o próprio processo educativo como objeto de uma reflexão crítica. (BÁRCIA, 1982, p. 45). Deve dar-lhes as ferramentas para que sejam capazes de descobrir sua identidade e entender o sistema social-político-econômico e perceber onde estão inseridas, como e até que ponto estão sendo e querem ser manipuladas.


A educação contínua por toda a vida é uma coisa tão forte que educação se faz sentir como uma ligação imediata com a cidadania. Na educação permanente estão embutidas, diretamente, educação e cidadania. Como um indivíduo chega a ser um cidadão? Quando ele tem conhecimentos, garantias do exercício pleno de sua cidadania. Não é só na hora de votar que ele é cidadão, mas ele é cidadão desde a hora que ele acorda até a hora que ele dorme. Mas para que ele tenha consciência que ele é um cidadão e como tal pode exercer a sua cidadania, ele tem de ter principalmente educação. Esse é um direito de todos.


Então, a educação não cessa no momento em que a criança sai da escola, educação formal. A educação não cessa no momento em que um universitário termina seu curso superior. Os sujeitos da educação permanente são os ex-alunos, já formados e que estão fora da sala, trabalhadores atuantes, e que de repente, sentem necessidade e vontade de continuar a estudar. O desejo do saber é algo que acompanha o homem em toda a sua vida. Nasce com a criança e acompanha a vida do idoso também. É uma característica tão forte o desejo do saber na vida do homem, que na criança é tão enfática essa questão do saber, com os psicólogos definindo-a até a fase dos porquês, pois ela tem desejo de saber. Pode até arrefecer na idade mais provecta, quer dizer, quando a pessoa atinge mais idade e não estimulada. Mas tem muito idoso que não deixa de ler o seu jornal diário, seu livro ou seu romance.


Convém, no entanto, destacar o papel determinante que os meios de comunicação social desempenham na comunicação dos indivíduos com o mundo, com as ideias, com os acontecimentos e as mais diversas formas de expressão do gênero humano. Rompem-se as fronteiras em qualquer ponto do universo. A educação permanente ocupa os indivíduos com atividades mais ricas, tais como a leitura ou as relações sociais. Mas é através dela que os indivíduos aprendem a selecionar os programas e a emitir critérios a respeito dos mesmos.


A educação permanente é a educação necessária e possível a todo cidadão, tendo em vista que a liberdade, a solidariedade, o conhecimento para o verdadeiro exercício de sua cidadania começa na infância e vai até o seu desaparecimento. Entende-se que só com qualificação é que se tem condições de exercer a verdadeira cidadania em seu benefício próprio e em benefício de todos porque, então, toda a nação fica beneficiada.


Referências:


BÁRCIA, Mary Ferreira. Educação permanente no Brasil. Petrópolis, RJ: Vozes, 1982. KNECHTEL, Maria do Rosário. Educação permanente: da reunificação alemã a reflexões e práticas no Brasil. 2.ed. Curitiba: Ed. da UFPR, 1995.

sexta-feira, 25 de março de 2011

A educação permanente e a (re)construção do "ser humano"

Breve retrospectiva histórica


O mundo sempre esteve em constante transformação. As idéias, concepções e costumes estão frequentemente se alternando. O ritmo é tão acelerado que a escola não tem conseguido acompanhar as mudanças, deixando as técnicas educativas de serem eficazes. A explosão demográfica e o aumento da expectativa de vida exigem que a educação se dê por mais tempo e atinja um número cada vez maior de pessoas.

Os conhecimentos evoluem tão rapidamente que não é mais possível fornecer conteúdos aos estudantes. O importante é ensiná-los a aprender, pois é isto que terão de continuar fazendo ao longo de suas vidas. O indivíduo necessita estar atualizado na sua especialidade, do contrário ficará ultrapassado. Isso se aplica a todas as profissões, tanto nas carreiras intelectualizadas, como nas técnicas de alto nível; tanto na indústria como no comércio; enfim, em todos os ramos da atividade humana. Não é só a criança e o adolescente que se modificam. O adulto, também, sofre modificações em cada fase da vida, (re)construindo-se constantemente ao longo de sua existência. Aí entramos na educação continuada ou educação permanente, dependendo do autor que tomarmos como referência.

A educação permanente é a educação necessária e possível a todo cidadão durante toda a sua existência. Durante muito tempo, há poucas décadas, é que se começou a pensar de que o adulto necessitava de uma continuidade na educação, porque educação era privilégio da criança e do adolescente.

Era considerada educação somente aquela que se dava dentro das escolas. Mas, de repente, em alguns países, surgem as primeiras preocupações com educação para adultos, no sentido de que educação não era só de crianças e adolescentes. Começaram, então, as primeiras movimentações na Dinamarca e na Inglaterra. Na Dinamarca, o Bispo Grundvig sentiu necessidade de oferecer mais saber, mais conhecimento para as populações que viviam na zona rural, como trabalhadores, agricultores, que não tinham acesso às escolas superiores, porque moravam longe da cidade. Desta maneira, Grundvig criou a primeira Escola Superior Popular, nas proximidades de Copenhagem, para que estes agricultores, pessoas da zona rural, pudessem vir durante a semana, em horários por eles estipulados, frequentar atividades, seminários e grupos. Não era escola sistematizada, ritualizada e segmentada como é a escola formal (ignorando que o saber também pode ser construído), mas, sim, uma escola livre para que este trabalhador viesse a hora que quisesse e fosse galgando, também, uma Escola Superior, mas dentro de outro ritmo.

Em 1856, o Bispo Grundvig já falava em formação de adultos, em produção do saber conjuntamente entre o adulto, o trabalhador e o seu orientador, que era o professor. Grundvig e outros europeus se preocupavam, já naquela época, com a formação dos formadores, que eram professores, com as populações adultas que saiam das escolas e que não voltavam mais, mas que precisavam de continuidade. Por isso, educação permanente é educação contínua e cuidavam, também, da formação daqueles que iam dar as aulas de orientação para essas pessoas, entendendo assim que isto é ensino, é educação, porém, uma educação não formal.

Quase na mesma época em Glasgow, na Inglaterra, a Igreja Anglicana, também, sentiu necessidade de oferecer a populações que frequentavam a igreja, mas que não estavam mais na escola e sentiam necessidade, mais conhecimentos para aproveitar melhor o seu meio: o meio físico, o meio social, principalmente, o meio natural. Assim, os trabalhadores organizaram grupos de estudo aos domingos nas saídas do culto. Então, aqueles que queriam ficavam lá na Igreja, recebiam ensinamentos de ciências naturais, de práticas para poder aproveitar melhor a natureza, e eles próprios melhorarem a sua qualidade de vida.

Ao mesmo tempo que na Dinamarca e na Inglaterra nasciam essas práticas, na Alemanha, também, começaram a surgir práticas de Educação Permanente. Da mesma forma, na Bélgica, na Rússia, na França (em 1919, houve uma lei denominada lei Astier), onde este político fez sentir na assembléia e na câmara dos deputados, que já era hora de se pensar na educação, também, dos adultos, que era necessário uma educação contínua por toda a vida.

Foi nesse horizonte que surgiram as reflexões e os princípios de um novo gênero de relação educativa, a educação permanente, com um objetivo muito evidente que respeita o ser humano e a sua realidade, numa perspectiva de coerência e de continuidade do exercício pleno da cidadania.

Para refletir: Qual é o grau de atenção que tenho dado à minha educação permanente? Ela tem respeitado o outro e sua forma de ser e agir dentro dos preceitos da ética?

Referências:

KNECHTEL, Maria do Rosário. Educação permanente: da reunificação alemã a reflexões e práticas no Brasil. 2.ed. Curitiba: Ed. da UFPR, 1995.

LENGRAND, Paul. Introdução à educação permanente. Rio de Janeiro, 1981.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A vida é um grande laboratório

Tenho a grata satisfação de orientar o trabalho de monografia de uma pós-graduanda em Secretariado: Gestão de Pessoas e Processos, que está pesquisando sobre o uso da inteligência emocional por profissionais do secretariado que atuam nas secretarias escolares de colégios de Florianópolis (SC).

A elaboração de um trabalho acadêmico sempre é permeada de muita leitura, tanto por parte da orientanda como da orientadora. No entanto, é uma oportunidade de muito aprendizado e até de se reelaborar determinadas maneiras de se perceber as coisas e as pessoas que nos cercam.

Aprender a perceber e ter a percepção da forma como lidamos com nossas emoções e com as dos outros caracteriza um aspecto da inteligência emocional. Daniel Goleman, em seu livro A inteligência emocional (1995) afirma que, diferente do QI - quoeficiente intelectual - a inteligência emocional pode ser melhorada ao longo da vida. É a vida que nos oferece sucessivas oportunidades - de maneira aleatória - para que a inteligência emocional possa ser definida.

Goleman afirma que no curso normal de uma existência, a inteligência emocional tende a aumentar à medida que aprendemos a perceber melhor nossos estados de espírito, a lidar de forma mais apurada com emoções aflitivas, a ouvir e ter empatia. A maturidade faz com que nos tornemos mais inteligentes no que se refere às nossas emoções e relacionamentos.

Com base nesta afirmativa, costumo afirmar que a excelência no atendimento ao cliente é uma questão de atitude e comportamento, e minimamente uma questão técnica. Se o profissional entender que deve melhorar sua forma de atender e se relacionar com o cliente, o seu cotidiano é o melhor espaço para o aprendizado. Claro, vai requer uma mudança de comportamento e de hábito. Isso, por sua vez, requer prática durante um longo tempo para enfraquecer o comportamento e hábito existentes e substitui-los por outros melhores.

De fato........ a vida é um grande e "fabuloso" laboratório!!!!