Vivências e convivências

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sexta-feira, 25 de março de 2011

A educação permanente e a (re)construção do "ser humano"

Breve retrospectiva histórica


O mundo sempre esteve em constante transformação. As idéias, concepções e costumes estão frequentemente se alternando. O ritmo é tão acelerado que a escola não tem conseguido acompanhar as mudanças, deixando as técnicas educativas de serem eficazes. A explosão demográfica e o aumento da expectativa de vida exigem que a educação se dê por mais tempo e atinja um número cada vez maior de pessoas.

Os conhecimentos evoluem tão rapidamente que não é mais possível fornecer conteúdos aos estudantes. O importante é ensiná-los a aprender, pois é isto que terão de continuar fazendo ao longo de suas vidas. O indivíduo necessita estar atualizado na sua especialidade, do contrário ficará ultrapassado. Isso se aplica a todas as profissões, tanto nas carreiras intelectualizadas, como nas técnicas de alto nível; tanto na indústria como no comércio; enfim, em todos os ramos da atividade humana. Não é só a criança e o adolescente que se modificam. O adulto, também, sofre modificações em cada fase da vida, (re)construindo-se constantemente ao longo de sua existência. Aí entramos na educação continuada ou educação permanente, dependendo do autor que tomarmos como referência.

A educação permanente é a educação necessária e possível a todo cidadão durante toda a sua existência. Durante muito tempo, há poucas décadas, é que se começou a pensar de que o adulto necessitava de uma continuidade na educação, porque educação era privilégio da criança e do adolescente.

Era considerada educação somente aquela que se dava dentro das escolas. Mas, de repente, em alguns países, surgem as primeiras preocupações com educação para adultos, no sentido de que educação não era só de crianças e adolescentes. Começaram, então, as primeiras movimentações na Dinamarca e na Inglaterra. Na Dinamarca, o Bispo Grundvig sentiu necessidade de oferecer mais saber, mais conhecimento para as populações que viviam na zona rural, como trabalhadores, agricultores, que não tinham acesso às escolas superiores, porque moravam longe da cidade. Desta maneira, Grundvig criou a primeira Escola Superior Popular, nas proximidades de Copenhagem, para que estes agricultores, pessoas da zona rural, pudessem vir durante a semana, em horários por eles estipulados, frequentar atividades, seminários e grupos. Não era escola sistematizada, ritualizada e segmentada como é a escola formal (ignorando que o saber também pode ser construído), mas, sim, uma escola livre para que este trabalhador viesse a hora que quisesse e fosse galgando, também, uma Escola Superior, mas dentro de outro ritmo.

Em 1856, o Bispo Grundvig já falava em formação de adultos, em produção do saber conjuntamente entre o adulto, o trabalhador e o seu orientador, que era o professor. Grundvig e outros europeus se preocupavam, já naquela época, com a formação dos formadores, que eram professores, com as populações adultas que saiam das escolas e que não voltavam mais, mas que precisavam de continuidade. Por isso, educação permanente é educação contínua e cuidavam, também, da formação daqueles que iam dar as aulas de orientação para essas pessoas, entendendo assim que isto é ensino, é educação, porém, uma educação não formal.

Quase na mesma época em Glasgow, na Inglaterra, a Igreja Anglicana, também, sentiu necessidade de oferecer a populações que frequentavam a igreja, mas que não estavam mais na escola e sentiam necessidade, mais conhecimentos para aproveitar melhor o seu meio: o meio físico, o meio social, principalmente, o meio natural. Assim, os trabalhadores organizaram grupos de estudo aos domingos nas saídas do culto. Então, aqueles que queriam ficavam lá na Igreja, recebiam ensinamentos de ciências naturais, de práticas para poder aproveitar melhor a natureza, e eles próprios melhorarem a sua qualidade de vida.

Ao mesmo tempo que na Dinamarca e na Inglaterra nasciam essas práticas, na Alemanha, também, começaram a surgir práticas de Educação Permanente. Da mesma forma, na Bélgica, na Rússia, na França (em 1919, houve uma lei denominada lei Astier), onde este político fez sentir na assembléia e na câmara dos deputados, que já era hora de se pensar na educação, também, dos adultos, que era necessário uma educação contínua por toda a vida.

Foi nesse horizonte que surgiram as reflexões e os princípios de um novo gênero de relação educativa, a educação permanente, com um objetivo muito evidente que respeita o ser humano e a sua realidade, numa perspectiva de coerência e de continuidade do exercício pleno da cidadania.

Para refletir: Qual é o grau de atenção que tenho dado à minha educação permanente? Ela tem respeitado o outro e sua forma de ser e agir dentro dos preceitos da ética?

Referências:

KNECHTEL, Maria do Rosário. Educação permanente: da reunificação alemã a reflexões e práticas no Brasil. 2.ed. Curitiba: Ed. da UFPR, 1995.

LENGRAND, Paul. Introdução à educação permanente. Rio de Janeiro, 1981.

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