Vivências e convivências

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sábado, 15 de agosto de 2015

SECRETARIADO EM FOCO: SUSTENTABILIDADE DA PROFISSÃO (parte 1)


PALESTRA PROFERIDA NO XIII SEMISEC, em Maceió (AL), no dia 12 de agosto de 2015, pela professora Eliane Wamser.

SECRETARIADO EM FOCO: SUSTENTABILIDADE DA PROFISSÃO

Boa noite! É uma alegria estar aqui com vocês! Quero agradecer de coração o convite recebido da Federação e dos Sindicatos pela oportunidade de estar no XIII SEMISEC - Seminário Multiprofissional Integrado de Secretariado da Região Nordeste e conversar com vocês sobre o Secretariado e a sua sustentabilidade enquanto profissão constituída que é.
Não tenho como esconder de vocês que tratar de sustentabilidade sob seus aspectos diversos e mais precisamente da sustentabilidade da profissão de Secretário é altamente instigador e desafiador. Mexeu com minha zona de conforto e deixou-me por inúmeras vezes muito introspectiva.
Inicio minha palestra apresentando-lhes o lugar que ajudou a moldar a pessoa que sou hoje. Apresentar a vocês minha leitura de mundo. Em que está amparada? Na minha história de vida. Sim, torna-se importante clarificar este lugar porque certamente temos aqui no auditório pessoas que veem esta temática sob outra ótica, outro referencial, outro ângulo.
Nasci em 1960. Eu sou a quarta geração – do lado materno - de uma família alemã colonizadora de Blumenau, em Santa Catarina, vinda para a região em 1847. Os meus avós enfrentaram alguns resquícios da II Guerra Mundial, quando não se tinha o excedente. Apenas o suficiente. Aprendia-se a guardar para amanhã. Isso fez com a minha avó fosse muito cuidadosa ao se desfazer de algo. Por que jogar fora se ainda pode ser útil?
Aprendi a plantar flores, rosas cor de rosa eram minhas favoritas. Os adultos trabalhavam demais durante a semana. Nos finais de semana, o lazer contribuiu com a fundação de clubes de Caça e Tiro e de bolão.
Essas experiências vividas ajudaram-me a definir meu jeito de ser e fazer. Ou seja, de que sempre terei que fazer o meu melhor para honrar essa minha linhagem materna de respeitarmos a terra.
A partir deste meu contexto, trouxe comigo a máxima do “desperdício zero”, com a qual convivi fortemente no mundo profissional. Era fazer mais com menos recursos, para viabilizar financeiramente a empresa. Sempre trabalhei sob a pressão da redução de custos, sem esbanjamento, muito controle de gastos.
Além da máxima do desperdício zero, vivenciei outra: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo.” Estou aqui falando dos anos 70, por volta de 1976, eu com meus 15 anos de idade, aprendendo a ser alguém no mercado de trabalho.
Lembro-me que as crises no cenário econômico e produtivo brasileiro eram constantes. A exemplo do que acontece atualmente. Isso deixa os dirigentes com os nervos a flor da pele, exigem cada vez mais produtividade e desempenho máximos. Requer de nós profissionais paciência, tolerância; contrapor-se às diferenças de opinião e ações com respeito, conhecimento e discrição. Vai sobreviver o profissional que tiver pique, que tiver um diferencial: fazer e dar sempre o seu “melhor”. Não o “possível” e sim o melhor.
Outro momento marcante foi durante meu Mestrado, nos anos 90, quando tive a alegria imensa de ter como Professor, o Doutor Ubiratan D´Ambrósio, educador matemático brasileiro e internacional. Um defensor de se promover uma cultura planetária, uma educação multicultural, uma educação para a paz, capaz de eliminar as diferenças. Saíamos de suas aulas “tontos” diante de sua fala firme e ao mesmo tempo, assustadora, a respeito da situação planetária e do futuro do cosmos. Dizia-nos isso com muita humildade e respeito pela forma e linha de pensamento teórico de cada um de nós. Não tínhamos como contrapor suas afirmativas. Levei seus ensinamentos para minha vida pessoal e acadêmica.
Em particular, ficou muito evidente que cada um de nós é o que é, dentro de determinado contexto. Eu sou o que eram e são os meus relacionamentos. Você é o que foram seus relacionamentos com seu passado, o que são com seu presente, e o que serão com seu futuro. Falo aqui de nossos relacionamentos com nossos semelhantes e com a própria natureza. Falo dessa interdependência entre o ambiente e o nosso ser, entre nosso pensamento, que incorporamos por meio da percepção captada pelos órgãos dos sentidos. Essa interdependência por si só já implica/demanda um imenso respeito que devemos ter diante das diferenças, da diversidade entre os seres, das diferenças cultural e social.
O fato de sermos todos interdependentes e inseparáveis de um Todo Cósmico, onde ações nossas aqui em Maceió, desmatamentos no Pará, seca no Sudeste, enchentes no Sul, degelo no Polo Ártico, tudo impacta na natureza, em nossa realidade e na realidade do próximo, onde quer que ele esteja.
Com Prof. Ubiratan, aprendi a olhar sob uma perspectiva mais global, holística, integral, quântica. Tive que fazer, e ainda faço diariamente, um grande esforço para me afastar sempre mais de uma visão de mundo cartesiana, mecânica, que separa-nos de nossos relacionamentos, não reconhece a importância do contexto no qual estamos inseridos. Sem esse sentimento de pertencimento fica difícil convencermos alguém quando falamos de sustentabilidade.
Significa que minha fala em defesa da sustentabilidade do Secretariado sempre foi e será um produto de minha consciência de trabalhadora, de secretária executiva trilíngue, de professora universitária. Tudo em mim está revestido de meu caráter histórico; da decisão que tomei em 1976 de que seria uma Secretária Executiva Trílingue bem sucedida. De alguém que acredita na profissão! SUCESSO, para mim, é ter o reconhecimento de um trabalho bem feito, fruto da competência e de habilidades.
Assim fui para o mercado de trabalho, impulsionado por mais uma máxima, que também me acompanha desde a infância: “trabalhar para sustentar a família”.
Acredito que vocês – assim como eu -  se depararam pela primeira vez com a palavra sustentar dessa forma em suas famílias. Para se sustentar e para sustentar uma família era preciso trabalhar, ter uma ocupação, ter uma profissão.
Para lembrar: a palavra sustentável tem origem no latim “sustentare”, que significa sustentar, apoiar, conservar. Palavra que depois foi estendida da família > empresa/profissão > governos > mundo > planeta.
Mais recentemente, fui buscar em Lester Brown, um referencial para aprender sobre sustentabilidade. Lester Brown é ambientalista e fundador do World Watch Institute e presidente do Earth Policy Institute, e que escreveu em 2009 o livro “Plano B 4.0: mobilização para salvar a civilização”.
A ideia de sustentabilidade começou a ser utilizada por Lester Brown, na década de 80. Brown definiu comunidade sustentável como aquela que é capaz de satisfazer às próprias necessidades sem reduzir as oportunidades das gerações futuras.
Uma definição que vai na mesma direção do Relatório de Brundtland (1987), que aponta que o uso sustentável dos recursos naturais deve "suprir as necessidades da geração presente sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir as suas".
Para o Portal da Sustentabilidade, sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. Abrange desde a vizinhança local até o planeta inteiro.
Há correntes que tratam da sustentabilidade sob três pilares,  entendendo-a como a busca pela harmonia entre: equilíbrio ambiental, justiça social e viabilidade econômica. Isso significa que envolve todos os âmbitos da vida: política, social, econômica, cultural e ambiental.
Brown chama atenção para: os desertos em expansão, o aumento do nível dos mares/oceanos e a exaustão dos aquíferos. Em se tratando das mudanças climáticas, aponta:
No século XX – nível dos oceanos subiu 18cm; no século XXI – o nível dos oceanos poderá se elevar de 90cm a 1,8m. Ou seja, trata-se da expansão dos oceanos e do encolhimento da terra. Isso também gerará o deslocamento potencial em massa de populações.
59 milhões de hectares serão afetados no Brasil (a maior parte no Nordeste), em função da desertificação (expansão dos desertos).
A temperatura da terra aumentou 0.6 grau Celsius desde 1970. Até o final do séc. XXI deverá elevar-se em até 6 graus Celsius. 
Ter-se-á o encolhimento das geleiras = derretimento das camadas de gelo. Quer dizer: as geleiras derretem e as cidades costeiras perdem terreno. E as colheitas diminuem porque a irrigação usa água do degelo. Assim como o uso doméstico da água depende de gelo derretido. 

Lester Brown defende que a sociedade tem um Plano B para sobreviver e reestruturar a economia global. E a convoca para trabalhar em prol de quatro metas interdependentes, quais sejam: estabilizar o clima, controlar a população, eliminar a pobreza e restaurar os suportes da natureza, como a água, o solo e o ar. O que implica combater, entre outros problemas mundiais, o aquecimento global, a degradação do solo, a ameaça à mobilidade urbana e o desmatamento/reflorestamento.
O que precisamos fazer? Segundo Brown, precisamos de um jeito diferente de pensar, uma nova mentalidade. Precisamos construir uma nova economia, que seja: alimentada por fontes de energia renováveis; um sistema diversificado de transporte; um sistema capaz de reutilizar e reciclar tudo.
Nossos países e empresas precisam abraçar a transição para uma economia verde. Porque é fato que o modelo econômico ocidental baseado no consumo de combustíveis fósseis, centrado no automóvel e em bens descartáveis, não durará muito.
Para estabilizar o clima, há necessidade de se baixar as emissões de dióxido de carbono em 80% até 2020, para minimizar o futuro do aumento da temperatura.
Temos tempo? Brown acredita que a disputa está entre a velocidade dos políticos versus a velocidade da natureza.
No Brasil, seremos capazes de acabar com o desmatamento da Amazônia antes que a região seque e se transforme em uma área desértica?

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