Vivências e convivências

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domingo, 24 de julho de 2011

O modelo tradicional de Administração: a escola da eficiência



Muitas de nossas atuais organizações estão estruturadas em bases originadas na Revolução Industrial e nas idéias clássicas dos pioneiros da administração como Taylor, Ford e Fayol. São as denominadas organizações tradicionais e mecanicistas. “A organização de qualquer grande empresa industrial moderna e bem-sucedida é uma combinação dos princípios propostos por Taylor e das técnicas criadas por Henry Ford. Mais que isso, grande parte da sociedade industrial repousa em alicerces que esses dois homens construíram.” (MAXIMIANO, 1997, p. 83).

O movimento da administração científica nasceu na passagem para o século XX, fruto da necessidade de fazer as organizações funcionarem com mais eficiência. Segundo Rifkin (1995, p. 52), “eficiência passou a significar o máximo rendimento que podia ser produzido no menor tempo possível, dispendendo a menor quantidade de energia, trabalho e capital no processo.”

Taylor foi o participante mais destacado do movimento, tornando-se referência padrão para a organização do local de trabalho, por meio de seus princípios de administração científica. Acreditava que o trabalho poderia ser científico se fossem padronizados os passos que cada trabalhador dava. Acreditava haver “uma maneira melhor (padrão) de realizar cada tarefa, uma ferramenta melhor (padrão) para executá-la com ela, e um tempo estipulado (padrão) no qual podia ser completada.” (TOFFLER, 1980, p. 60).

Segundo Maximiano (1997), o primeiro estágio do movimento da administração científica foi escrito em torno do problema dos salários, pois não havia um sistema confiável de pagamento de salários e de incentivos para melhorar o desempenho do trabalhador. Taylor estava em busca de uma forma de precisão para definir o valor dos salários. Era necessário descobrir o tempo que um homem leva, dando o melhor de si, para completar uma tarefa. Ele acreditava que descobrindo a velocidade máxima com que o trabalho poderia ser feito de maneira científica e exata, chegaria à solução dos problemas dos salários. Era necessário estudar os movimentos elementares que uma tarefa exigia.

Para fazer isso, conforme relata Rifkin (1995, p. 53), Taylor, com o uso do cronômetro, “dividiu a tarefa de cada trabalhador nos menores componentes operacionais visivelmente identificáveis e mediu cada um para apurar o melhor tempo atingível sob condições de desempenho ótimas. Seus estudos aferiram o desempenho de trabalhadores em frações de segundo.” De suas observações e experiências, nasceu o estudo de tempos e movimentos necessários para a execução e aprimoramento do trabalho operacional.

As fases seguintes do movimento da administração científica foram marcadas pelo desenvolvimento teórico das idéias de Taylor, que, de acordo com Stoner (1982), assentavam-se em quatro princípios básicos, os princípios de administração científica:

1. O desenvolvimento de uma verdadeira ciência da administração, para que, por exemplo, se pudesse determinar o melhor método de execução de cada tarefa.
2. A seleção científica do operário, de modo que cada um deles ficasse responsável pela tarefa para a qual tivesse mais condições de trabalho.
3. A educação e o desenvolvimento científico do operário.
4. A cooperação íntima e amistosa entre a administração e os operários.

Nada ficou imune à mania da eficiência: fábricas, escritórios, escolas, enfim, a vida da sociedade moderna. Vale lembrar que a escola tecnicista era um reflexo da proposta taylorista, em busca da racionalização e da produtividade. Como diz Rifkin (1995, p. 53), “muitos acreditavam que, tornando-se mais eficientes, poderiam reduzir a quantidade de trabalho individual necessário para realizar uma tarefa e, com isso, alcançar mais riqueza e mais tempo livre.”

A escola da eficiência ganha mais uma contribuição importante na pessoa de Henry Ford, com o desenvolvimento da linha de montagem móvel, que, basicamente, consiste no deslocamento do produto em produção ao longo de um percurso, enquanto que os trabalhadores ficam parados em seus postos de trabalho, cada um executando uma única e repetida tarefa. Esse processo diminuía significativamente o tempo médio de ciclo de produção devido a imobilidade do trabalhador, assim como reduzia os custos dos estoques de peças à espera da montagem. Como consequência, aumentava a produção e o produto ficava mais barato.

Associado a Ford, também, estão os dois princípios da produção em massa: a padronização e a especialização do trabalhador. Produção em massa é a fabricação de produtos não-diferenciados em grande quantidade. “A especialização do trabalhador, conseqüência da fragmentação do trabalho, é a principal característica da linha de montagem aprimorada por Henry Ford”, como nos afirma Maximiano (1997, p. 97). Num sistema de produção em massa, cada trabalhador tem uma tarefa fixa no processo de produção, para o que tem de ser especializado.

Drucker (1971, p. 77) lembra que a primeira grande inovação do século XX foi a produção em massa, iniciada entre 1905 e 1910 por Henry Ford, de um produto padronizado - o automóvel Modelo T. Segundo o autor, o seu mérito não está vinculado a nenhuma invenção tecnológica importante, pois as instalações para produção em massa por ele instaladas já eram conhecidas há um século. Porém, afirma que “sua contribuição era uma inovação: uma solução técnica para o problema econômico de produzir o maior número de produtos acabados com a maior garantia de qualidade pelo menor custo possível.”

A produção em massa exigiu a padronização de máquinas, produtos e processos. Dentre as consequências da padronização, podemos mencionar o surgimento de testes padronizados para identificar e avaliar as pessoas aptas ou não para determinada tarefa, a padronização das horas de almoço e dos feriados, a padronização de currículos escolares e a adoção do teste de múltipla escolha.

Ford canalizou toda a sua atenção para a montagem da linha de produção, deixando de visualizar, conforme destaca Maximiano (1997, p. 99), “a estrutura organizacional necessária para administrar a totalidade das fábricas, atividades de engenharia e sistemas de marketing”.

A General Motors, com o objetivo de superar a Ford e também ser bem-sucedida na produção em massa de automóveis, decidiu profissionalizar a administração, um dos pontos falhos de Ford. Para tanto, elegeu presidente, em 1923, Alfred Sloan, que era de fato um gerente. É com ele que se inicia o estereótipo do gerentão.

Fonte:

DRUCKER, Peter. Tecnologia, gerência e sociedade: as transformações da empresa na sociedade tecnológica. (tradução de Luiz Carlos Lucchetti Gondim) Petrópolis/RJ: Vozes, 1971.
MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria geral da administração: da escola científica à competividade em economia globalizada. São Paulo: Atlas, 1997.
RIFKIN, Jeremy. O fim dos empregos: o declínio inevitável dos níveis dos empregos e a redução da força global de trabalho. (tradução Ruth Gabriela Bahr). São Paulo: Makron Books, 1995.
STONER, James Arthur Finch. Administração. (tradução de José Ricardo Brandão Azevedo. 2.ed. Rio de Janeiro: Prentice-Hall do Brasil, 1985.
TOFFLER, Alvin. A terceira onda. (tradução de João Távora) 13.ed. Rio de Janeiro: Record, 1980.

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