Vivências e convivências

Vivências e convivências

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Imprescindível, por que não??

Recordar é viver... lembrei-me deste episódio na sexta-feira a tarde quando estava trabalhando um texto a pedido de um empresário da cidade. Saudosismo? Pode ser. Mas a recordação, e agora o fato de expor o episódio para você, está motivado por uma imensa angústia de ter de dizer isso para que sirva como parâmetro para a geração de jovens profissionais do secretariado que estão iniciando suas carreiras.

Assim, para quem interessar possa.....


O Diretor Presidente que assessorei até o início dos anos 90, certo dia me disse: “Estás fazendo com que eu perca a habilidade de escrever. Reparei que todos os documentos que tenho assinado nas últimas semanas foram redigidos por você.”


E ele tinha razão. Eu havia chamado esta responsabilidade para meu cargo. Tinha isso como uma meta profissional, vamos assim dizer. Toda manhã ele chegava ao escritório com uma porção de papeizinhos com tópicos de assuntos a serem desenvolvidos (entende-se redigidos) e encaminhados de preferência nas primeiras horas do expediente. Eram mensagens eletrônicas para os gestores dos escritórios regionais e das empresas nos Estados Unidos e na Alemanha; cartas para outros, memorandos tratando de situações internas, convocação de reuniões, agendamento de visitas e assim por diante.


Eram anotações que ele fazia entre o término do expediente e o início da manhã seguinte. Como ele mesmo costumava dizer - eram “inspirações” que ele tinha em casa e para não deixar escapá-las, anotava. O difícil era interpretar sua enigmática letra.


Como assessoras, aprendemos técnicas de redação e elaboração de textos e documentos corporativos. Contudo, afirmo com veemência, que as técnicas por si só não são suficientes para se ter uma redação acurada. Torna-se necessário ter conhecimento do assunto e isto implica uma visão geral do negócio. Estar por dentro de tudo que acontece na corporação e colocar no papel do jeito como seu executivo o faria. O que não é tarefa simples. Requer habilidade e capacidade de analisar o modo de redigir do dirigente. Sim, porque seu estilo de redação precisa se adaptar ao estilo de redação de quem assina. E, claro, quem assina é ele, o dirigente, na maioria das vezes.


Recordo-me muito bem de um executivo que eu secretariava no início de minha vida profissional – lá por volta de 1980 – época em que eu já acreditava que podia ser a redatora oficial deste diretor.


Vamos à situação.... Sempre que eu apresentava uma carta redigida a este diretor, ele mudava alguma palavra. Por exemplo: se na carta eu escrevia “Comunicamos que no dia tal haverá......” ele riscava a palavra ‘comunicamos’ e escrevia por cima ‘informamos’. Assim, fazia-me redatilograr o texto com a determinação de substituir ‘comunicando’ por ‘informando’. Espertinha que eu acreditava que era, na próxima carta usava a palavra ‘informando’ porque achava que era este verbo que melhor soava em seus ouvidos. Engano meu!! Fazia-me mudar para o verbo que naquele dia era de sua preferência, que podia ser ‘levamos ao seu conhecimento....’ Sem dúvida, minha imaturidade profissional não me fez ver que era ele quem detinha o poder da caneta. Afinal, era ele quem assinava.


Retornando para 2011... Hoje, certamente, não nos deparamos mais com executivos com esta faceta. Hoje, mais do que ontem, o profissional que assessora deve se tornar um profissional imprescindível – jamais se considerar insubstituível – no que diz respeito a deixar sua marca registrada pela comprovada habilidade na construção de textos e documentos corporativos, na língua vernácula e em idiomas estrangeiros que o cargo exigir.


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